Por dentro de uma plantação de maconha: caso Fundação Daya, no Chile

Sempre falamos sobre o impacto que a legalização da Cannabis pode trazer para um país, seja no âmbito social, financeiro ou mercadológico. Mas como isso funciona na prática? Hoje vamos falar sobre a maior plantação de maconha para uso medicinal da América Latina, localizada no sul do Chile. 

A Fundação Daya já atendeu mais de 60 mil pacientes e capacitou mais de mil profissionais. Saiba mais sobre a plantação de maconha, a legislação chilena e a Fundação Daya a seguir. 

Por dentro de uma plantação de maconha

A Fundação Daya é responsável pela maior plantação de maconha da América Latina. Localizada no sul do Chile, na província de Linares, eles colhem cerca de 1,5 toneladas a cada colheita com 6.400 pés plantados em 1 hectare de fazenda, onde são cultivadas 16 variedades de Cannabis diferentes. 

Cerca de 60 trabalhadores vestem um traje especial e luvas de borracha para cortar, limpar e pendurar as plantas em um galpão para secar depois de cada colheita. Depois de uma semana de secagem, o material é moído e levado ao laboratório médico Knop, onde terá início o processo de pesquisa clínica. 

Por dentro de uma plantação de maconha: caso Fundação Daya, no Chile
Plantação de maconha da Fundação Daya, no Chile.

Mas nem tudo são flores. Também é preciso preservar e manter segura a plantação de maconha. Para isso, há vigilância 24 horas por dia, cerca elétrica, cão de guarda, câmeras de vídeo e conexão direta com as principais delegacias de polícia da zona agrícola. 

O modelo é único na região e privilegia pacientes com câncer, epilepsia refratária ou vítimas de dores crônicas, como artrite ou esclerose múltipla. Hoje, a Fundação ajuda cerca de 4 mil pessoas dos quase 20 municípios chilenos que participaram do financiamento do projeto. 

Legislação chilena

A mudança de cenário no Chile começou em 2014, com a própria Fundação Daya, que conseguiu autorização do governo para criar uma plantação de maconha para o tratamento de 200 pacientes com a extração do óleo de canabidiol. Essa iniciativa resultou em um estudo clínico sobre a eficácia da erva como analgésico. 

Esse foi o primeiro projeto canábico de grande escala na América Latina, antecedendo até o Uruguai, e tornou o Chile pioneiro na importação legalizada de medicamentos à base de cannabis no território latino-americano. Em 2015, a Câmara dos Deputados chilena descriminalizou o consumo privado da cannabis para fins medicinais, espirituais e recreativos. 

Como escolher a genética da planta no plantio de Cannabis

Desde então, é possível ter uma plantação de maconha para uso pessoal ou medicinal e carregar até 25g de maconha, mas não é permitida a comercialização da planta. As únicas exigências se limitam ao cultivo de, no máximo, seis pés por casa e o fato da pessoa ter de fazer uma declaração juramentada na presença de autoridades para informar o local de residência, a quantidade de espécies da erva e o adulto responsável.

A Fundação Daya

A Fundação Daya nasceu em 2013 em resposta à crescente necessidade de acessos a novas terapias e tratamentos médicos. Em 2014, a Daya tornou-se uma organização pioneira no Chile e no mundo com uso medicinal de Cannabis e seus derivados, através da criação do primeiro Centro Médico de Cannabis da América Latina, com médicos e terapeutas altamente qualificados. 

Genoma da Cannabis sativa

Nessa mesma época a Fundação obteve a primeira licença de plantação de maconha para pesquisa e uso medicinal. Isso possibilitou ampliar as vias de acesso aos usuários a preços justos, promover a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico e a criação de um novo pólo de desenvolvimento para o Chile. 

Com frequência, a Fundação Daya recebe visitas de países como Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos para conhecer a gestão da fazenda e o cultivo. Imagina quantos empregos seriam gerados, quantos pacientes seriam ajudados e quanto dinheiro o Brasil ganharia se tivesse uma política mais flexível, investisse em Cannabis e permitisse a plantação de maconha legal?

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